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Seriam os gramados do México abençoados?

Outubro de 1964. A FIFA escolhe o México como sede da Copa do Mundo de 1970. Para organizar o Mundial, o México derrotou a Argentina, que tentava sediar o máximo torneio de futebol do planeta pela quarta vez.

Copa de 1966. O Brasil é eliminado na primeira fase e Pelé, então com 25 anos, abdica da seleção brasileira revoltado com a violência daquela Copa e com a falta de atitude dos árbitros e principalmente da FIFA em coibir aquele absurdo.

Mas peraí. Alguma coisa estava errada. Os deuses do futebol reservavam para o México o maior espetáculo da história do futebol. E para que esse espetáculo fosse completo, usaram João Saldanha.

A CBD demitiu Aymoré Moreira do cargo de treinador da seleção brasileira em 1968. João Saldanha foi contratado e montou boa parte da seleção de 70, usando como base os times do Santos e do Botafogo. Com isso, Saldanha convenceu Pelé a voltar a seleção brasileira em 1969, um ano antes da Copa. Porém, João Saldanha acabou demitido do cargo, segundo fontes da época, por não aceitar as “dicas” do presidente da república Emílio Garrastazu Médici.

Assim, Zagallo foi contratado e convocou Rivelino e Tostão, para formar assim a incrível seleção de 70. Esse time maravilhoso desfilou toda sua classe pelos gramados mexicanos, mágicos, abençoados pelas entidades espirituais da bola. O Brasil caiu no grupo da morte mas passou por ele como um trator e deu show em todos os jogos até o título mundial. Pelé, no auge de sua forma física e mental, fez uma Copa do Mundo espetacular. Fez gols, deu assistencias, protagonizou lances memoráveis, como o drible de corpo no goleiro adversário ou a tentativa de gol do meio campo, todos no jogo contra o Uruguai.

Em 1970 Pelé já era um superstar da bola, mas se firmava ali como o maior jogador de todos os tempos, atleta do século e maior representante do futebol canarinho.

1974. A FIFA escolhe a Colombia como sede da Copa do Mundo de 1986. Mas algo não está certo… Parece que os Deuses da bola não concordaram muito com essa decisão… algo especial acontecerá em 86 e não pode ser em qualquer lugar. Há de ser em gramados sagrados… locais onde reles mortais não podem brilhar… Onde será então? Ora, onde mais poderia ser?

Em 1983, o comitê da FIFA se reune na Suiça e decide. A Copa do Mundo de 1986 não será mais na Colombia. Devido aos graves problemas financeiros enfrentados pelo país do café, a Copa do Mundo foi deslocada para o México. Agora sim… o cenário está pronto pra outro mágico do futebol desfilar toda sua genialidade.

A Argentina caiu num grupo complicado. Apesar de contar com a fraca Coréia do Sul, tinha a encardida Bulgaria e a campeã do mundo Itália. Mas isso não foi problema. Com duas vitórias e um empate, a Argentina se classificou em primeiro lugar no grupo.

Nas oitavas de final, uma vitória apertada sobre o Uruguai por 1 a 0 classificou o time portenho para as quartas de final. Foi aí que Maradona começou a brilhar. Na vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, Maradona fez um gol de mão… um gol que entraria para o folclore do futebol mundial e principalmente serviria para criar-se uma aura de lenda sobre Maradona. Talvez se sentindo culpado, talvez na ânsia de mostrar que era um ser iluminado, Maradona fez um gol histórico, sensacional, indescritível. Maradona driblou seis adversários para marcar o mais belo gol da história das copas.

Nas semifinais, outro show e mais dois gols sobre a Bélgica. Na final, Maradona não fez gols. Foi muito bem marcado por Lothar Matthäus, mas mesmo assim produziu muito para o time. A Argentina abriu 2 a 0 e sofreu o empate a dez minutos do fim. Mas aí, o gênio decidiu. Maradona se desmarcou, recebeu e lançou Burruchaga que livre fez o terceiro e decisivo gol do Mundial.


Pelé e Maradona… tão distantes, tão diferentes unidos por um só cenário. Os mágicos gramados mexicanos…

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