Início > São Paulo > Entrevista de Ruy Ohtake ao R7.com

Entrevista de Ruy Ohtake ao R7.com

Ruy Ohtake.

71 anos.

Um dos maiores arquitetos brasileiros.

Tem projetos reconhecidos no mundo inteiro.

No Brasil são mais de 300 projetos.

Ganhou 24 prêmios internacionais.

Apaixonado por curvas.

O Hotel Unique é um marco da arquitetura latino-americana.

Fez o projeto do Hotel Renaissance.

A embaixada brasileira em Tóquio.

O Museu Aberto da Organização dos Estados Americanos no Estados Unidos.

Oscar Niemeyer disse que é um dos maiores arquitetos da história do Brasil.

Já ganhou diversas exposições no Exterior.

Filho da artista plástica Tomie Ohtake.

Ele foi chamado pelo presidente Juvenal Juvêncio para projetar a reforma do Morumbi.

Aceitou na hora.

Apaixonado pelo São Paulo.

Pensou que seria tarefa fácil.

Só que o intelectual tão premiado não esperava a reprovação da Fifa.

Ele entendeu que a reprovação ia muito além do conhecimento de arquitetura dos comandantes do futebol.

O não misturava a péssima relação entre o São Paulo e a CBF com interesses políticos, briga pela eleição presidencial de 2010.

Ruy entendeu e reagiu.

Aceitou de pronto a ‘intervenção’ germânica.

As curvas que havia projetado tiveram de ser ‘enfeiadas’ pela empresa alemã GPM.

A diretoria do São Paulo buscou a GPM como último recurso para o Morumbi brigar pela abertura da Copa de 2014.

Toda a sutileza do projeto de Ohtake não foi considerada pelos alemães, especialistas em construir estádios para a Fifa.

A Fifa tem uma incrível atração pelos projetos práticos, e rústicos, da GPM.

Foi assim na Alemanha, África do Sul e será assim no Brasil.

Como ficou Ruy Ohtake diante da mão pesada dos alemães da GPM?

A postura incrivelmente humilde pode ser conferida nesta reveladora entrevista exclusiva ao blog.

Ruy, o senhor aceitou as imposições da GPM ao seu projeto?

Eu quero dizer que eu amo o São Paulo e quero o Morumbi abrindo a Copa do Mundo.

Se a maneira disso acontecer são essas adaptações da GPM, não tem problema.

Minha vaidade não pode ficar acima do interesse do meu clube e da minha cidade.

Eu acredito que a maior parte do meu projeto será mantida.

Só haverá algumas mudanças como os vestiários passarem para o meio de campo.

A construção de um prédio ao lado do estádio para a imprensa.

Nunca fui uma pessoa radical.

Eu enxergo a situação geral.

Não penso só em mim nunca.

Quero o bem do São Paulo e não será a minha vaidade que vai atrapalhar o Morumbi.

O senhor ficou surpreso com a postura da Fifa, tentando vetar o estádio para a abertura?

Sei que no futebol as coisas não são tão claras.

Há muito interesse político.

As pessoas que se manifestaram contra o projeto não o conheciam profundamente.

Mas eu sou uma pessoa experiente e percebo rápido como as coisas acontecem.

Lógico que eu não esperava essa resistência tão forte.

Mas eu disse ao presidente Juvenal Juvêncio: sou uma pessoa que colabora, não que dificulta as coisas.

Em primeiro lugar está mesmo o meu amor ao São Paulo e à cidade de São Paulo.

Meu ego não é grande.

Se a empresa alemã sabe que mudanças devem ser feitas para garantir a Copa aqui, vamos mudar o projeto e ponto final.

O importante é que agora não há nada, nada que impeça a abertura do Mundial no Morumbi.

Não haverá um ponto cego no estádio.

Haverá metrô na porta, estacionamento.

Centro de imprensa, tudo.

Não há o que questionar agora.

Que visão o senhor tinha do Morumbi antes de estudar detalhadamente o estádio? Qual o senhor tem agora?

Eu sou uma pessoa bem sincera.

Acho o Morumbi feio, pesado.

Típica obra dos anos 60, 70.

Quando projetei os anéis e a cobertura tratei de levar um pouco de leveza ao Morumbi.

Repito para você, mesmo com a ‘colaboração’ dos alemães, o estádio ficará muito bonito.

Tenho certeza que a população de São Paulo ganhará com esta obra.

O senhor tem alguma informação sobre os cerca de R$ 350 milhões para a reforma do estádio? A diretoria do São Paulo já conseguiu esse dinheiro?

Essa questão não é minha.

Mas sei que o presidente Juvenal Juvêncio está empenhado na busca de recursos.

E ele não está sozinho.

Há várias pessoas importantes da cidade e do estado que compreenderam a importância de reformar o Morumbi.

Quanto vale fazer a festa da abertura e uma semifinal da Copa do Mundo no estádio? Quanto? E para a cidade ter um estádio dos mais modernos do mundo? Quanto?

São Paulo é o centro financeiro do País.

Tem força para modernizar o Morumbi e muito mais.

O senhor acredita na possibilidade da construção de um novo estádio em São Paulo para a Copa?

Não.

Por uma razão muito simples.

Se reformar um estádio estruturado como o Morumbi já é caro, quanto custaria construir um novo.

A minha inteligência e o meu bom senso me dizem que não haverá novo estádio em São Paulo.

O senhor está decepcionado com esse contato com o mundo do futebol? Não era melhor o senhor não ter se envolvido com esse projeto?

Não estou decepcionado, não.

Pelo contrário.

Essa resistência só me deu mais vontade de ver o estádio aprovado e reformado para a abertura da Copa.

Estou fazendo algo para o futuro da minha cidade e do meu clube de coração.

Sou um apaixonado pelo São Paulo.

Não passo de um torcedor como tantos outros.

Mas não iria passar por cima dos meus princípios devida por causa dessa torcida.

O projeto é ótimo, realista e muito viável.

O Morumbi vai abrir a Copa de 2014.

E ficará muito mais bonito.

Apesar da mão pesada dos alemães da GPM?

Isso é você quem está dizendo…

Fonte: R7.com

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: