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Por isso gosto dos carros – Por Flávio Gomes

O mundo da F-1 é muito mais sujo do que faz imaginar a assepsia de seus boxes, os uniformes bonitos dos mecânicos, a cara lavada dos engenheiros e técnicos no pitwall. Foi-se a graxa dos velhos tempos, ficou a nojeira.

O episódio Renault-Briatore-Nelsinho de Cingapura é apenas mais um entre tantos que jogam lama no esporte. Não é preciso ir muito longe. O escândalo da espionagem envolvendo Ferrari e McLaren é bem recente. As mentiras de Hamilton na Austrália, também. Os ataques a Max Mosley através de vídeos e fotos sadomasô, mais um.

Não que seja um privilégio da F-1, ser infestada por pulhas. O futebol é um antro de falta de caráter, de jogatina, de roubalheira, de corrupção. O atletismo abriga o que de pior existe na fabricação química e artificial de esportistas. O tênis vive sob suspeitas fortes de manipulação de resultados por apostadores. A natação virou uma disputa de maiôs, depois de ser manchada pelas falcatruas promovidas por treinadores e dirigentes do Leste Europeu.

Não há santos no mundo.

Tudo indica que houve algo realmente muito feio, condenável e absurdo na corrida noturna de Cingapura. Não fosse assim, a FIA não abriria uma investigação e não convocaria a Renault para se explicar junto ao Conselho Mundial. O silêncio da equipe, da montadora e das pessoas arroladas no caso é constrangedor.

O que choca, no fundo, é constatar o tanto de gente capaz de se envolver nessas coisas achando que ninguém vai descobrir, numa era de comunicações monitoradas, conversas de rádio gravadas, câmeras espalhadas por todos os cantos.

Briatore é um crápula, mas não é burro. Se fez o que se acha que fez, imaginava mesmo que ficaria impune? Nelsinho, se bateu de propósito, enterrou sua carreira — não importam as pressões que tenha sofrido. Quem vai confiar num piloto que faz uma coisa dessas? Seu pai, se sabia de tudo, é igualmente indefensável. Alonso, que pode até alegar inocência, também. Será que essas pessoas não pensam nas conseqüências de seus atos, na imagem jogada na lata de lixo, no quanto decepcionam milhões de fãs, torcedores, seguidores?

O desfecho desse caso de Cingapura pode ajudar a depurar o ambiente. Mas não vai acabar com essa incrível tendência do ser humano de querer derrotar o outro usando meios ilícitos e obscuros. O que dói é saber que essas coisas acontecem no esporte, que deveria ser puro e lúdico, ar fresco num mundo contaminado pela iniquidade.

Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos carros.

Conheça o excelente blog do Flávio Gomes no ESPN.com.br

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Categorias:Automobilismo
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